Game Review: Rockman Zero Collection

É uma pena que as versões mais novas do Nintendo DS, o DSi e o DSi XL, não possuam mais a entrada para cartuchos do Game Boy Advance. Mas isso é bom para as softhouses, pois elas podem lançar coletâneas ou remakes de seus games mirando dois públicos: os mais novos que não tiveram acesso a eles, e os fãs hardcore que compram qualquer coisa de sua série favorita, mesmo tendo os games originais. Por isso, não há grande necessidade de modificar profundamente os games: os desenvolvedores apenas “embalam”  os originais num novo pacote, colocam alguma “perfumaria” extra e jogam no mercado, que muita gente vai comprar. É o que você vai encontrar em Rockman Zero Collection.

Desenvolvido pela Inti Creates e publicado pela Capcom, a coletânea Rockman Zero Collection (ロックマンゼロコレクション) foi lançada nos EUA (como Mega Man Zero Collection) em 08/06/2010 e no Japão em 10/06/2010, e contém os quatro games da série: Rockman Zero (2002), Rockman Zero 2 (2003), Rockman Zero 3 (2004) e Rockman Zero 4 (2005).

Voltando ao lançamento de Rockman Zero em 2002, ele chamou a atenção por ter um cunho mais sombrio que as outras quatro séries existentes na época: clássica, X, .EXE (Battle Network) e Dash (Legends). Havia sangue na tela (ou óleo, mas prefiro acreditar que era sangue), algo que nunca aconteceu antes, se não levarmos em conta duas cenas em anime de Rockman X4. E mais: o game era dificílimo, inclusive sendo considerado mais difícil que Rockman (o primeirão, da série clássica). Do meu ponto de vista, é difícil mas nem tanto, o primeiro Rockman era díficil e bugado unleash hell style.

A Capcom não teve medo de desconstruir seu personagem mais badass mothafucker: Zero aqui não tem nada a ver com o Zero poser da série X, que era o cara legal e descolado que fazia X parecer um Rockman com personalidade mais chata. Zero é uma tela em branco, não tem nenhuma memória de sua vida anterior devido ao longo tempo de hibernação, e por causa disso é tratado como uma “arma de destruição em massa”: no primeiro game, ele entra em conflito com o governo de Neo Arcadia porque Ciel, a líder da resistência, lhe disse para fazê-lo, ponto. A série mostra o amadurecimento de Zero, indo de um avatar da guerra sem mente própria até um herói de verdade, que decide seguir seu próprio caminho.

Agora um pouco da jogabilidade: similar à série X, mas bem mais profunda; tendo duas armas padrão utilizáveis o tempo todo e quatro equipáveis, a possibilidade de combinações de ataques é imensa e necessária, dada a complexidade dos inimigos. Às vezes, Zero lembra Dante da série Devil May Cry, atirando e cortando inimigos em sequências ininterruptas.

Finalmente falemos da coletânea em si. Como fã da franquia Rockman/Mega Man, é difícil para mim fazer uma avaliação parcial, mas verdades precisam ser ditas. Isso posto, digo que Rockman Zero Collection poderia ter sido melhor se houvesse mais capricho por parte da Inti Creates e da Capcom. Não que o game seja ruim, pelo contrário, tudo que tornou a série Zero uma das melhores da franquia está lá, e este é exatamente o problema: não há novidades significativas, apenas, como eu disse no início do post, “perfumaria” extra, de modo a tornar a coletânea atrativa ao gamer hardcore que já possui os originais do GBA.

A primeira é a (óbvia) galeria, com diversas ilustrações dos quatro games em alta resolução, aproveitando ao máximo a telinha brilhante do DS. Elas aparecem até quando você está ingame, na touchscreen. Para quem não comprou o fantástico artbook Mega Man Zero Official Complete Works, é uma mão na roda e tanto.

A segunda: as funções dos botões L e R foram replicadas nos botões X e Y. Parece bobo, mas por serem games muito dinâmicos, é bom ter todas as funções necessárias nos botões da frente, sem depender dos de trás.

A terceira (a mais legal, na minha opinião) envolve o game Rockman Zero 3. No Japão, foram vendidos sets com 100 cartões para serem usados no e-reader do GBA. 20 deles eram colecionáveis e 80 liberavam power-ups no game. Todos esses cartões agora são desbloqueáveis no próprio game, sendo facilmente acessados via touchsreen. Tal inclusão torna esta a versão definitiva de Rockman Zero 3. Imagino que fãs japoneses que gastaram um dinheirão comprando os cards no lançamento original devem estar frustrados, mas é outra prova que as mídias físicas estão aos poucos sendo substituídas pelas facilidades do conteúdo digital.

A quarta e última modificação é um novo modo, que permite jogar os quatro games na sequência, como se fosse um só. Isso faz desse modo o game mais longo da franquia, e também o mais fácil: você já começa com uma barra de energia enorme e quatro Sub-Tanks, e os padrões de ataque de alguns inimigos parecem estar mais fáceis também. É legal que a Capcom se preocupe com os gamers mais novos colocando um Easy Mode no game (como fez com Rockman 10), mas para mim, um Rockman fácil não é Rockman, portanto, tal modo é inútil.

Conclusão: Rockman Zero Collection pode conquistar novos fãs para a série, mas eles não são o alvo principal da Capcom. Ele expande a experiência dos fãs hardcore e é a coletânea com a melhor relação custo/benefício do DS, afinal, são quatro grandes games pelo preço de um. Se você tem um DS Lite e os quatro games originais, não há necessidade de adquirir esta coletânea, mas se você perdeu algum episódio ou possui um modelo mais novo do portátil, corra atrás que o retorno é garantido!

Nota Final: 8,9

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Ronaldo de Souza Gogoni, AKA Cyber Ramses

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