Persépolis: O Irã em quadrinhos (e também animado!)

Fim de semana, hora de relaxar…

Domingo tem o Oscar e creio que, salvo algumas surpresas, é certo que a briga será entre “Onde os Fracos Não Tem Vez” e “Sangue Negro”, ambos com 8 indicações. No quesito “zebra”, temos o filme “Juno” que pode dar trabalho, e Johnny Depp concorrendo como melhor ator por “Sweeney Todd” (e quem falou mal do musical, é porque não gosta do gênero! Vai assistir drama então!) Mas todo ano, a categoria que mais presto atenção é mesmo melhor animação. Este ano, estão concorrendo “Tá Dando Onda”, da Sony, “Ratatouille”, da Disney/Pixar, e a grata surpresa do ano, “Persépolis”, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, baseado na HQ autobiográfica de Satrapi de mesmo nome, e que está estreando hoje nos cinemas (mas em poucas salas, infelizmente).

Não há muitas quadrinistas mulheres, e menos ainda tem tanto talento como Marjane, para contar um momento tão tenso da história recente de seu país com leveza e bom humor, e isso dá um sabor todo especial à obra.

Baixe a HQ completa aqui
Créditos: F.A.R.R.A.
Teerã, 1979. Marji, uma menina nascida em uma família moderna e politizada, é testemunha da Revolução Popular (posteriormente conhecida como Revolução Islâmica) que derrubou o Xá Reza Pahlevi e instaurou uma teocracia retrógrada e autoritária, comandada pelo então Aiatolá Khomeyni, especialmente no que diz respeito às mulheres. Aos dez anos, ela se viu de repente obrigada a usar o véu e estudar separada de seus amigos meninos. Alguns parentes e amigos fogem do país, outros antigos opositores do Xá são mortos pelo novo regime, explode a guerra Irã-Iraque. Por viver num meio tão repressivo e sem perspectiva, e por pensar demais, e em voz alta, seus pais mandam Marji para o exílio na Áustria aos catorze anos, onde ela vive as transformações, alegrias e decepções da adolescência, mas com um problema: sua família não está lá para apoiá-la. Após quatro anos, ela volta para o Irã e descobre o que já temia: ela era uma estrangeira na Áustria e agora, uma estrangeira em seu próprio país.
Após permanecer alguns anos em Teerã, onde estudou Belas Artes, Marjane se muda definitivamente para Paris em 1994, para concluir seus estudos. Foi então que ela começou a desenhar “Persépolis” a seus amigos franceses, para contar sua história. A série foi muito bem recebida: vendeu 400 mil exemplares só na França, e foi licenciada em vários países, inclusive no Brasil: a Cia. das Letras lançou os quatro volumes, e depois os reuniu num volume único, “Persépolis Completo” (aqui eu fico com pena de quem comprou todos os volumes e gastou mais de 100 reais, já que a compilação custa só 39 reais!), que é o scan que postei aqui.
Baixe a animação:
Parte 01
Parte 02
Parte 03
Parte 04
Créditos: F.A.R.R.A. again!
Tanto sucesso rendeu uma excelente animação, tão simples e por isso mesmo tão brilhante, que realça ainda mais o sentimento de cumplicidade de Marjane com o público, de como ela se abre ao narrar sua trajetória. O filme foi contemplado com o Prêmio especial do Júri no Festival de Cannes de 2007 e foi escolhido pelos espectadores da Mostra Internacional de São Paulo, junto com “Na Natureza Selvagem”, o melhor filme da seleção. Foi indicado oficialmente pelo governo francês para concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, mas foi ignorado, permanecendo somente na catgoria Melhor Animação. E foi duramente criticado pelo governo iraniano (óbvio), que recebeu uma resposta formal do Júri de Cannes: o festival é independente e não cede à pressões de nenhum tipo (viva a democracia!)
Hoje é fato que Marjane Satrapi é persona non grata no Irã, mas uma coisa é certa: ela não fez cinema francês, nem iraniano. Fez cinema, e de primeira qualidade. Sua obra consegue ser, ao mesmo tempo, triste e divertida, real e fantasiosa, intimista e universal.

Bom, baixem e tirem suas conclusões. See you next time!

PS 1: a Academia deu o Oscar de Melhor Animação pra “Ratatoiulle”. Particularmente, acho que “Persépolis” se fazia mais necessário atualmente, e era mais consistente; mas o ratinho da Disney e até bem fofinho e me fez simpatizar com ele (e somente ele – eu DETESTO ratos numa intensidade inimaginável: já fui mordido por um! O.O), então acho que mereceu pela qualidade da animação. Talvez a história de Marjane não tenha ganho por ser uma história sobre o Irã, país integrante do “Eixo do Mal” segundo nosso amiguinho Bush, e o fato de mostrar o lado “humano” de quem vive lá não seja o que os americanos (leia-se: a crítica, a academia, os republicanos; não necessariamente o povo) queiram ver e admitir, iria de encontro a política de “combatentes da liberdade” dos States… mas estou divagando demais, talvez nem tenha nada disso…

PS 2: a cópia lançada aqui no Brasil, se não me engano, é a com áudio em inglês, ao invés da original em francês. Tanto na versão original quanto na americana, a atriz Catherine Deneuve interpreta a mãe de Marjane e a atriz Chiara Mastroianni (que também é filha de Catherine na vida real) interpretou Marjane adolescente e adulta; a versão americana ainda conta com a voz do cantor Iggy Pop como o tio de Marjane, Anouch.

2 Responses to “Persépolis: O Irã em quadrinhos (e também animado!)”


  1. 1 Estabilizador e Nobreak abril 9, 2008 às 8:44 pm

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Ronaldo de Souza Gogoni, AKA Cyber Ramses

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